11 de Nov de 2009

Mixed feelings. Gilberto Gil e Robert Enke

Fui ver Gilberto Gil. Faltava-me estemagnífico para completar o quarteto de musicos brasileiros que não queria deixar de ver. Vi Ney, o provocador, Chico poeta, Caetano e a voz da tranquilidade duas vezes, e agora Gilberto Gil, rei dos jogos de palavras. Está completo e eu feliz. Acompanhado de Jacques Morelenbaum e o filho Bem Gil, Gilberto Gil brilhou esta noite em Lisboa. O concerto foi como se esperava: bom, sereno. Os sons, assobios longos e falsetes de Gil são extraordinários.
Antes de começar, estive de telefone na mão a queixar-me no twitter da falta de educação das pessoas, dos atrasos, dos sentares. Enfim, ficará para um texto mais light. A última coisa que soube antes de as luzes se apagarem foi da morte de Robert Enke. Aqui páro como então.
Sao dois mundos distintos, dois momentos opostos. No entanto, sinto-me em ambos.
Robert Enke morreu? Não consegui acreditar, como sempre acontece nestas coisas. Robert Enke, morto.
Fui confirmar no Google. Pormenor mórbido: na wikipédia já constava data de nascimento e morte – 10 de Novembro de 2009, isto é arrepiante ou isto é arrepiante? Não fui ver motivos, ou pior, como foi. E se puder não os saber tanto melhor. Detesto essa exploração da desgraça alheia. Sim, estou a escrever sobre isso. Pretendo, não sei se consigo, referir o Enke que conheci e esse estava vivo. Que nos atrai tanto nas pessoas depois de mortas? Depois de sair do Benfica esteve em Barcelona, no Fenerbahçe e ultimamente no Hannover (pode falhar-me algum). Era suplente de Lehmann na Mannshaft.
Num flash vi a cara de Robert Enke. As luzes apagaram-se e o concerto começou. Tive de aproveitar Gilberto Gil ali à minha frente. Fechei-me no CCB com ele e quem lá estava. Fiquei ali onde só havia violões (e um violoncelo importantissimo). Ouvi a voz de Gil que é mágica e tranquila como a de todos os grandes do Brasil:será genético ou sugestão minha?
Aplausos. Muitos. Gilberto Gil é enorme. A simpatia, a calma... Belo concerto no mais puro sentido da palavra. Quase duas horas de beleza pura.
Tive naquela sala um último momento. Aquele foi um concerto num mundo já sem Robert Enke. Coisas minhas. Depois acabou. E eu saí de onde me refugiara por umas horas do mundo em que é verdade: Robert Enke morreu.

20 de Out de 2009

Piove senti come piove...

Piove! Senti come piove! Madonna come piove! Senti come viene giù!
Piove! Senti come piove! Madonna come piove! Senti come viene giù!


Falta um ou dois minutos para as nove. Estou no meu lugar e as calças que são mel, parecem camuflado de tanta gota que têm. Nunca sei se camuflado está in ou out, para mim está sempre out a menos que vá em missão ao mato o que até hoje não aconteceu.
Está a chover em Lisboa. Chove. E chove. E chove. Chove pelo menos desde que saí de casa, há mais de uma hora, e não parece querer parar.
Chove e com a chuva vem o costume: os atrasos dos transportes, o trânsito entupido, as pessoas a reclamar. Uma animação, portanto.
Já sei, já sei, a chuva faz falta. Pois fará, mas podia vir em doses e lugares certos, só isso. A mim não faz falta entre a estação e o trabalho ou casa. Nem faz falta no asfalto ou nos carris, certamente. Pelo menos nesta medida de hoje que é… como é o termo técnico… ah sim, um abuso. Faz falta às plantas aos animais e para baixar os pós e moscame que em Outubro enche este país. Verdade. Mas transtorna mais do que faz falta no meu caminho para o trabalho. Faz falta, mas a verdade é que neste país se passa a seca a clamar pela chuva e em meia hora já temos cheias. E isso não pode fazer falta a ninguém.
Em dias como hoje que mais se ouve depois das reclamações, seguidas do “mas faz falta…”? O típico “gosto tanto do cheirinho a terra molhada…” Haverá alma que não tenha ouvido isto? Faça-se um perfume, um ambientador com esse aroma e distribua-se. Eu conheço esse cheiro. Não morro de amores por ele, e é raro senti-lo. Há zonas onde só se levanta o cheiro a enxofre, que para mim só existia em histórias de bruxas e assim podia ter continuado que o dispensava bem.
Enfim, pode dizer-se que não sou fã da chuva. Mas não podendo evitá-la, prefiro que chova como deve ser. Chuva como deve ser é aquela pesada, gotas grossas e que cai cerca de uma hora seguida de cada vez, não mais. E sem vento, é fundamental não haver vento. Chuva e vento são verdadeiros desafios que só ainda não percebi quem promove. Mas é certamente alguém que está acima das nuvens.

15 de Out de 2009

Coisas que vou fazendo III

Esta semana: notícia Marge Simpson na Playboy abre caminho para Popota na FHM

Francis e Clarinha, em Futebol & Lantejoulas falam da selecção em geral e Ronaldo em particular.

E em Domingo de eleições, Luisinha foi a votos.

13 de Out de 2009

Ainda caibo no contentor Maitê?

Também quero falar, pois.
A Maitê não deixou de ser linda e ter uma voz de que sempre gostei, nada disso. Mas admito que é em muito nome da Juliana da Guerra dos Sexos.
Se eu gostei? Nada. Se sei que estamos sempre a dizer mal de tudo e todos? Ui, se sei. Acuso-me já aqui como grande critica (leia-se antes maledicente) do português e do Portugal. Eu reclamo sobre as pessoas nos transportes, as pessoas nos trabalhos, as pessoas no futebol, na rua. As pessoas, as pessoas e as pessoas. Bem sei que o faço. Não só (embora, a ser pago, tivesse a vida feita só com isso), mas também.
A primeira questão ali, é falta de gosto. Isso é indiscutível. Humor não é aquilo, lamento. Como não é muito comentário que se ouve no dia-a-dia.
E sim, nós passamos a vida a dizer mal do país e do próximo. Mal comparado é como com os clubes. À excepção de Polga, que grito ao mundo, posso falar mal do meu clube inter pares, mas ai de quem insinue alguma coisa e use outra cor. Viro leoa e não admito (quase) nada. Facciosa, pois, não há que ter medo de o dizer. E vejo que o mesmo vale para muitas pessoas de outros clubes. Neste caso, ver alguém de “fora” dizer mal, não ter sequer muita graça e ainda revelar falta de conhecimentos, é o que nos faz saltar, empunhar bandeiras, cantar o hino e gritar “PORTUGAL! PORTUGAL! PORTUGAL!”. Ou é isso, ou o jogo com Malta de mais logo. E é legítimo que o façamos: aquilo não teve graça, não foi querido nem sexy.
Só que como maledicente profissional, tão depressa me irrito com o que vi como com o movimento que se levanta. Motim contra uma actriz que só revelou mau gosto e falta de graça, é uma coisa provinciana e por isso, suspeito que fecho aqui o “dossiê Maitê”.

9 de Out de 2009

Não sei que pensar, achei que Obama ganhava pop star do ano.

Soube-se hoje que Obama é o Nobel da Paz de 2009. A primeira reacção que tenho é um misto de surpresa e emoção. Mas emoção como quando vou a um concerto e a banda entra finalmente. Pois, é que percebo agora que Obama era para mim, pop star.
Eu, que todos os anos espero o Nobel da Paz para Bono – a Meryl Streep do Nobel – surpreendo-me com esta atribuição e dou por mim a pensar que me admiraria menos com um Grammy a Obama. Para já, vejo mais uma estrela ali. Culpa minha, não dele.
Não me importo nada com Obama ser Nobel da Paz, eu sou fã. Mas lá está, “sou fã” tem sentido pop. E sou fã do mediatismo, do carisma. Não posso dizer que seja de medidas ou decisões que mal conheço e nem ele teve ainda tempo de tomar. Até hoje, sem pensar muito no assunto estava tudo junto: prémios são prémios e só tomam os devidos contornos quando têm uma cara.
Conheço-lhe o sorriso, não é? Como tantos de nós. E gosto, pois gosto. Conheço-lhe o porte, a elegância. Se calhar aqui, acrescento um re ao conheço porque começa a soar estranho. Reconheço-lhe a importância que a bola de neve do Yes, we can lhe deu. Eu ao trambolhão também naquela histeria, avalanche fora.
Eu vejo adolescentes aos gritos por William e fico verde “Oh meninas é um príncipe, não se salientem” diz a Dona Maria da Luz, nascida em 1923, que há em mim. E agora vejo o presidente do mundo – não tenhamos ilusões ou medo das palavras - como uma pop star. Sim, que não tenho dúvidas que se visse Obama ao vivo mais depressa me sairiam palmas de braços no ar acompanhadas de “Uhhhuuu” e assobios de festa, que palmas solenes e só no fim de um discurso.
Eu não estou habituada a que o Nobel da Paz tenha pintarola. Se calhar é um prémio de confiança. Ou um lobby. Pouco me importa. É Nobel, Arafat também o foi. Parece-me que Obama é menos polémico, peca apenas pelo que ainda não fez. É Nobel, e Arafat também o foi. Mas esse… ah, esse, não dava belas fotografias.

5 de Out de 2009

Coisas que vou fazendo II

Esta semana: uma notícia Mundial em 2014 e anúncio Jogos Olímpicos em 2016 esgota stocks de samba;
o resumo da jornada por Francis e Clarinha, em Futebol & Lantejoulas Sporting de Braga na frente, tudo igual e estonteante;
este Domingo, debutou ou estreou a crónica de Luisinha: convosco, o primeiro Luisinha Dixit.

29 de Set de 2009

Coisas que vou fazendo

Alcune cose che faccio será uma forma de não dizer "Ora vêde o que tenho andado a fazer por estes dias, em vez de uma crónica" e abre hoje.
E esta semana deixo link para o
Futebol & Lantejoulas de O Indesmentível e duas notícias: Rita Pereira tem uma cabeleireira, uma porteira e uma Hello Kitty dentro de si e Abstenção seria de 0% se houvesse comes e bebes.